100 vezes Cláudia

A mulher arrastada pela Polícia Militar tinha nome – Cláudia Silva Ferreira. Cláudia também tinha família. E sonhos, coragem, dores e medos como qualquer ser humano. As denúncias da barbárie ocorrida são importantes e elas não devem cessar. Mas fugir do sensacionalismo e humanizar esse momento também é. Por isso, nos propusemos a retratar Cláudia com mais carinho do que o visto nos últimos dias.

A convite da OLGA, alguns artistas gentilmente criaram imagens sensíveis, que se dispõe a resgatar a dignidade roubada por criminosos. Este projeto se chama 100 VEZES CLÁUDIA e é aberto para que qualquer um possa enviar suas homenagens. Ou seja, esperamos publicar aqui novas artes com frequência. Quem sabe não chegamos a 100? Por fim, gostaríamos de imprimir algumas das ilustrações e enviar à família de Cláudia. Quer participar? Escreva para olga@thinkolga.com.

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Visite a Galeria: http://thinkolga.com/2014/03/19/100-vezes-claudia/

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“Matei por amor”: a complexa noção do ataque vil às mulheres

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O que faz um homem esfaquear sua ex-companheira numa passarela da cidade de Salvador e levá-la à morte por desconsiderar a hipótese de ela não querer mais viver uma relação contigo?

Foi essa a pergunta que o meu companheiro fez hoje à noite após eu ter contado a ele um caso que vi no jornal a respeito de uma mulher de 20 anos de idade, moradora do Parque São Cristóvão, que foi brutalmente assassinada pelo ex-marido, um homem de 35 anos, com 15 facadas quando estava a caminho do trabalho, num grande shopping center de Salvador.

Respondi a pergunta dele da seguinte forma:

A complexa noção de que mulheres são (estão) subordinadas ao poder do homem. O poder do patriarca, chefe de família. E o poder do homem sobre a mulher passa do pai para o marido nessa maldita sociedade machista em que vivemos.

Somos criadas (adestradas) desde a mais tenra idade a pensar e agir sob a tutela de um ser masculino (pai, avô, tio, irmão e, posteriormente, o marido). Não detemos de autonomia suficiente para gerir sequer nossa vida e sermos donas dos nossos corpos. E assim segue.

A religião cristã nos diz isso quando prega que uma mulher fora extraída da costela de um homem, e por isso lhe deve obediência. Não se submetendo a tal obediência, só lhe resta o castigo. Tão logo, Eva foi expulsa do Jardim do Éden, e toda a sua geração paga pelo feito até hoje. Está posto nas Sagradas Escrituras.

A família nos ensina isso a todo o tempo, desde quando nascemos, quando separa roupa e brinquedos de menina X menino (a ambivalência do rosa X azul). Quando a nossa mãe diz que devemos sentar de pernas fechadas, nos comportar e nos resguardar sexualmente para sermos consideradas “moças direitas”, e o nosso irmão adquire o consentimento para fazer o quer e bem entende, pelo simples fato de ser “homem”.

A escola também nos educa nesse sentido, quando planeja campeonato de menina X menino, e nos instrui a sermos boas mães e cidadãs.

A TV exibe a todo instante que “mulher tem que se dar ao respeito”, caso o contrário é considerada uma “periguete”.  A exemplo, temos a “periguete” Valdirene, interpretada por Tatá Werneck na novela Amor à Vida, e o  sommelier  ”conquistador”, interpretado por Cauã Reymond que come todo o elenco feminino da série Amores Roubados.

Entender o que se passa na cabeça de uma criatura que dá golpes de faca em uma jovem por não aceitar o fim do relacionamento perpassa pela análise socioantropológica do cotidiano que nos cerca, da sociedade que se sustenta numa base patriarcal que nos agride de modo vil. É ter a perspicácia para notificar tais ações e se valer dos sentidos que estão imbricados em tudo que se passa.

É isso que se passa na cabeça de um homem que mata a mulher com quem se envolveu pelo fato de esta não mais querer se envolver com ele.

Fonte: Escrevivência

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Após pressão, Adidas cancela venda de camisas com conotação machista

 

Reprodução

Material seria usado na Copa e foi retirado do ar após pressão nas redes sociais por parte de organizações feministas e repúdio do governo brasileiro

26/02/2014

Da Redação

A empresa de material esportivo Adidas teve que se retratar com o publico brasileiro, nesta terça-feira (25), após lançar duas camisetas comemorativas da Copa do Mundo no Brasil. O material foi acusado de ser machista e de incentivar o turismo sexual no país.

Dezenas de organizações feministas se mobilizaram e criticaram o material nas redes sociais durante todo o dia. O governo brasileiro também se posicionou contra a multinacional alemã.

 
Imagem do Ministério do Esporte. Foto: Facebook  

O Ministério do Esporte usou sua página no facebook para responder a campanha da empresa e publicou adaptações nas imagens em que a bunda feminina é substituída por um rosto sorridente e a da garota de biquíni por uma baiana.

Além do Ministério, a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) lançou nota em que repudiou “veementemente” o tom das camisetas. O presidente da empresa, Flavio Dino, declarou que a campanha “vai no sentido contrário do que o Brasil defende”.

Em seu twitter oficial, a presidenta Dilma Rousseff declarou que o “Brasil está feliz em receber os turistas que chegarão para a Copa, mas também está pronto para combater o turismo sexual”.

A Adidas, que é patrocinadora oficial da Copa, declarou que retirou os produtos das prateleiras e que as camisetas eram uma edição limitada para o público estadunidense.

Fonte: Brasil de Fato

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Negras memórias: negritude feminina em primeira pessoa no bairro da Terra Firme em Belém

Várias são as motivações que me levam a refletir diariamente sobre a condição feminina negra nas periferias de Belém. A principal delas é que eu sou personagem da minha própria história. Se há algo que marca minha trajetória negra, é minha movimentação pelos bairros “periféricos” de Belém. Minha mãe é uma andarilha e com ela aprendi a fazer a mochila muito cedo. Hoje continuo migrando. Sou moradora do bairro do Bengui, mas é pelo bairro da Terra Firme que faço meu local de fala.

O coletivo que integro, o Casa Preta, está na TF e é lá onde concentramos grande parte de nossas atividades, incluindo a busca pela problematização da condição feminina negra na periferia da cidade.

A Terra Firme, ou TF, é um bairro marcado pela migração. De acordo com o censo de 2010 do IBGE, habitam 34.468 mil pessoas no bairro, sendo 10.041 migrantes. Outra característica da TF são as palafitas construídas às margens do Rio Tucunduba. É um bairro predominantemente negro (ou pardo). Onde as igrejas dividem as mesmas ruas que os terreiros e onde habita boa parte da história do Rap em Belém.

Outra questão que me influencia diariamente e me leva a escrever sobre esse tema é o insistente silenciamento dado à participação e contribuição das mulheres negras na história brasileira, recente ou passada. E Belém também é palco desse silenciamento, a começar pelo mercado de trabalho.

Ano passado o IDESP apresentou um relatório sobre a condição da mulher negra no mercado de trabalho de Belém. A partir dos dados do censo de 2010, o IDESP mostra que 59% da população de Belém se auto declara negra ou parda, e desse total, 49% são mulheres. Entre os homens, Belém segue a realidade nacional, isto é, o homem negro recebe substancialmente menos que o homem branco, mas nada é mais assombroso do que a realidade feminina: a renda média da mulher negra de Belém não alcança R$ 300.

O relatório registra a existência de 198.630 mulheres empregadas domésticas em Belém, sendo que 84,11% são de mulheres negras. Outros dados do IDESP mostram que 75% das mulheres negras estão ocupando posições sem proteção legal, sem remuneração ou com baixos salários. Entre as mulheres negras que trabalham sem remuneração o percentual é de 13%, contra 8% de mulheres brancas. A quantidade de negras trabalhando como empregadas domésticas (com e sem carteira assinada) supera o de negras registradas como empregadas com carteira assinada.

Vi isso na prática. Nas empresas e universidades por onde passei em Belém, trabalhei com poucas mulheres negras ocupando cargos de gestão. E além de sermos poucas, somos motivadas a sermos morenas. Aliás, Belém é uma cidade morena. Aqui predomina a negação da mão de obra negra escravizada na história da cidade. E sobre as primeiras mulheres negras, então, os registros são parcos, sendo Vicente Salles (1931-2013) o pesquisador mais notório.

Na formação da sociedade paraense, Vicente Salles registra a existência de três comunidades femininas: o grupo informal das Taieras, lavadeiras que habitavam o bairro do Umarizal, antigo bairro negro e hoje bairro branco de classe média, que ficava no limite com o bairro da Campina onde habitavam as famílias abastadas; o Cordão das Estrelas do Oriente, “composto por negras e mulatas”, dirigidas por um homem e além das festividades religiosas prestava também assistencialismo popular; e as Irmãs de São Raimundo, igualmente lideradas por um homem negro e com abordagem religiosa.

Segundo o historiador, são poucos os registros de mulheres negras organizadas em associações ou outros modelos de comunidade. Nenhum desses grupos sobrevive e suas memórias estão parcialmente restritas ao folclore, à música e à poesia.

Vejamos, se para o homem negro é difícil lidar com sua condição étnico-racial e romper as amarras dos valores racistas que o Brasil ainda cultiva, imagina para a mulher negra, historicamente vista como “aquela que serve”. Concepção que vem desde quando o homem branco passava o chicote no homem negro e à mulher negra cabia o chicote, o estupro e a separação dos filhos e maridos. Essa herança perdura e possui uma competência ainda tão forte quanto daqueles anos de escravidão autorizada.

Diante de tudo isso é que observo os riscos de nossas meninas pretas moradoras da Terra Firme. Os riscos de anulação. Da regularidade da subserviência ao patriarcado machista (negro e branco). De sua exposição na vitrine de carnes baratas. Das especificidades de sua saúde não investigada. Da falta de olhos nos olhos.

Fotografia de Márcio Vasconcelos

Fotografia de Márcio Vasconcelos

Como em Palmares, a Terra Firme tem suas Dandaras. E como na história de Belém, tem suas taieiras. São meninas e mulheres que lutam para não sucumbir.

É o caso de Camila, menina que descobriu no agbê e na capoeira formas de ser ouvida e de ser vista protagonizando uma construção coletiva e de resistência ancestral. De Nazaré, que compreendeu que podia recontar sua história e de outras negras, ao contar uma nova história para seus cabelos e deles construir resistência. É como mãe Simone que pelo Candomblé tomou conta de sua negra voz e que, sendo filha de uma casa de Yás e Yabás, protagoniza sua própria história como uma liderança nos espaços ocupados pelos povos de terreiro. Entre as Dandaras da TF, existe também mãe Graça, maranhense, que pelo Tambor de Crioula expõe a resistência feminina negra dançando e saudando nossas divindades sincretizadas. Ainda há dona Ana, rezadeira, benzendeira, curandeira, a quem recorremos para aliviar parte de nossas angustias físicas e espirituais.

Entre esses exemplos, há centenas de outras. Há meninas e mulheres negras casadas com os traficantes do bairro, há entre elas as que assumem a liderança de algumas bocas junto com os companheiros. Há as que aceitam a bigamia de seus companheiros, mas que se mantêm monogâmicas e há as que matam por não aceitarem seus companheiros envolvidos com outras mulheres. Nem todas essas histórias são de transformação ou são contadas em primeira pessoa. A TF também é monitorada por uma violenta polícia militar que incrementa e autoriza a violência sofrida por meninas e mulheres negras e que por vezes são elas mesmas criminalizadas “por se exporem demais”.

A TF é um espaço em movimento. E a movimentação é predominantemente feminina. Nesses movimentos habitam as necessidades de resistência e de protagonismo feminino negro. Especialmente para que nossas memórias, negras e femininas, não sejam mais contadas em pequenos parágrafos.

Fonte: Blogueiras Negras

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Aborto e ilegalidade: a violência do Estado contra as mulheres negras

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As eleições de 2010 deram a tônica de como o conservadorismo e o fundamentalismo religioso tem avançado no Brasil. Em plena eleição, candidatos e candidatas a Presidência da República viram-se confrontados pela necessidade de apresentar ao país  opinião sobre um dos debates mais polêmicos relacionados ao movimento de mulheres como um todo: o debate sobre a legalização do aborto.

Há tempos o movimento de mulheres vem pautando a necessidade da legalização, fazendo o debate ora pela autonomia do corpo feminino, ora pelos direitos sexuais e reprodutivos. Neste texto entretanto iremos discutir um outro olhar acerca desse tema, que é o da violência do Estado contra as mulheres negras. Antes disto, é importante colocarmos alguns pontos importantes, que já vem sendo debatidos há tempos, mas é sempre importante relembrarmos. Em primeiro lugar, a legalização não se constitui em um incentivo ao mesmo e nem na anulação da necessidade de um amplo sistema de políticas públicas voltadas ao planejamento familiar, o aborto é o ultimo estágio do debate sobre a questão reprodutiva, é a “ponta da lança” .

É importante referenciarmos, que o Estado brasileiro, garante em sua constituição, o direito à vida e à saúde como inalienáveis, que não podem ser negados a ninguém, pela sua cor, raça, gênero ou orientação sexual. É dever então, do Estado Brasileiro, zelar pelo bem-estar de todos os seus cidadãos e também de suas cidadãs, atentando-se as demandas especificas de saúde possuída por cada grupo. Isto é que se chama de princípio da equidade, que a grosso modo pode ser resumido como, tratar os iguais como iguais e os diferentes como diferentes.

É responsabilidade portanto, do Estado, garantir que todas as mulheres tenham o direito de exercer livremente a sua sexualidade, e de ser assistida nesse livre exercício. Sendo assim, quando o Estado brasileiro mantém o aborto na ilegalidade está fugindo de suas funções, cometendo assim uma violência que é sexista e assume um caráter genocida quando se trata daquela que é mais atingida e mais vulnerável nesses casos, que é a mulher negra.

Esse é um debate do qual os diversos movimentos de mulheres, precisam se apoderar, tirando a questão do aborto do âmbito privado, trazendo para a sociedade a compreensão de que a negação do Estado em dar assistência a uma mulher em situação de abortamento, seja espontâneo ou induzido, constitui em grave desrespeito aos direitos humanos, trazendo assim o debate para o campo da institucionalidade.

Quando falamos que o Estado comete violência, isto se dá pelo fato da ilegalidade se constituir em um cerceamento da autonomia e liberdade do corpo feminino. Além disso, mantendo o aborto na ilegalidade, o Estado brasileiro demonstra que está sendo pautado pelo fundamentalismo religioso ao invés de zelar pela vida de suas cidadãs, em especial suas cidadãs negras. Nega assim as estatísticas que mostram a dura realidade de que a atual situação não impede os abortos de acontecerem, mas simplesmente relega a morte e ao esquecimento as mulheres, em especial as mulheres negras mais uma vez.

No que tange às mulheres negras, que pela ação do racismo já são consideradas sub-cidadãs, ocorre uma situação de “marginalização” no âmbito do aborto. As mulheres brancas e ricas recorrem a clínicas especializadas e com plena assistência médica, enquanto as mulheres negras recorrem a métodos alternativos, que muitas vezes colocam em risco a sua vida.

A pesquisa Itinerários e Métodos do Aborto Ilegal em cinco capitais brasileiras, realizada por Debora Diniz e Marcelo Medeiros, traz um pouco do panorama  de como a mulher negra está vulnerabilizada e exposta à violência do estado em sua negação de assistência. Inclusive é importante alertarmos para a necessidade de novas pesquisas em relação a esta temática com recorte racial. Isto garante visibilidade institucional a quem é mais vitimada pelos efeitos da ilegalidade.

Os mesmos alertam que a maioria das mulheres que abortam são mulheres negras, com idade até 19 anos, com pelo menos 1 filho. O aborto normalmente começa com a junção de chás e do Cytotec, remédio originalmente usado para combater ulcera mas que possui como efeito colateral o abortamento. Apesar da pesquisa referenciar o medicamento como sendo o principal meio de abortamento, são recorrentes os relatos de métodos mais invasivos como agulhas de crochê entre outros artifícios utilizados.

A pesquisa em questão, também referencia a ausência de exames diagnósticos da gravidez. Ou seja, muitas dessas mulheres acabam por identificar a gravidez através dos sinais corpóreos tradicionais, em especial o atraso da menstruação, esta ausência tanto se dá pelo medo de ser identificada pelo aparelho do estado, caso futuramente opte pela interrupção da gravidez, bem como pela dificuldade financeira de garantir os exames básicos como o BHCG e a Ultrassom.

O diagnóstico precoce, bem como a adoção de métodos não-seguros, leva à maioria destas mulheres a internação em grandes hospitais para a finalização do aborto através da curetagem, sendo que para cada mulher branca internada para finalizar o aborto, outras 3 mulheres negras foram também internadas. A chegada ao hospital para realizar os procedimentos finais dá inicio a uma outra etapa de violência, também subsidiada pelo Estado, também alimentada pela ilegalidade que é a violência obstétrica. Muitas dessas mulheres relatam o medo de serem denunciadas a policia, a falta de assistência médica e principalmente a falta de sensibilidade de profissionais que muitas vezes imbuídos de convicções religiosas e estereótipos raciais, acabam por fragilizar ainda mais esta paciente que normalmente chega desacompanhada de seus parceiros. (A pesquisa mostra que a maioria das mulheres negras entrevistadas, chegaram ao serviço publico sem os companheiros.)

Ou seja, quando o Estado diz não à legalização, na verdade está jogando para à inseguridade inúmeras mulheres que deveriam ter o direito de escolher o que fazer ou não com o seu corpo. Mulheres essas que acabam submetidas à intervenção machista do fundamentalismo dentro da estrutura do Estado, em especial do parlamento brasileiro, ostensivamente ocupado por homens pertencentes aos setores conservadores de nossa sociedade, além de muitos companheiros de esquerda que não compreendem o seu papel enquanto legisladores de representar TODA sociedade brasileira. E as mulheres fazem parte dessa sociedade.

Ao tratarmos da não-legalização como violência contra a mulher, colocamos este como uma política genocida contra todo o povo negro, já que a morte de cada uma dessas mulheres desestabiliza toda uma geração, se estendendo aos pais, aos filhos e filhas já existentes, companheiros,e principalmente as mães. Legalizar o aborto, no Brasil e diante das circunstâncias colocadas, é dar opções as mulheres e o direito de decidir, sem precisar morrer por esta escolha.

Por Luana Soares para as Blogueiras Negras

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1º Encontro Nacional das Mulheres Quilombolas de 20 a 24/03, em Brasília

cartaz conaqPor CONAQ

Com 19 anos de existência, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas – CONAQ, na luta pela demarcação dos Territórios Quilombolas, soberania do povo quilombola, enfrentamento ao racismo institucional, ambiental, social, cultural na aplicação das Leis e cumprimento das mesmas.

Neste sentido, nós mulheres quilombolas do Brasil, vamos nos reunir com o objetivo de consolidar a luta pela terra, avaliar as políticas públicas e as condições que as mesma ‘atendem’ as mulheres quilombolas, no enfrentamento ao machismo, em quebrar o silêncio denunciando a violência doméstica nas suas mais variadas formas, gestos e manifestações, enfrentar a desigualdade geracional, social.

A luta quilombola é liderada por homens e mulheres, e em muitos cantos deste país a luta é construída, liderada por mulheres que acumulam ao longo ou no início da vida as funções de mãe ou não, responsável pelo lar, cuida da roça, dos animais, quebra coco, faz carvão, na labuta diária dos afazeres, cuida dos filhos (as), dos mais velhos da família, trabalha no comércio, na saúde, na educação, estuda, acumula funções na tarefa diária que é ser mulher.

Em nome de tantas mulheres quilombolas que tombaram na estrada da luta, que tiveram seu sangue derramado pelo conflito agrário e pela violência doméstica, em nome de cada menina que nasce, em nome de cada mulher que assume seu papel de transformadora nessa sociedade racista, machista, patriarcal, é que construímos esse momento para trocarmos experiências, histórias, recarregar as energias e continuar a transformar a história.

Comissão Organizadora do Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas – CONAQ

OUTRAS INFORMAÇÕES:

Inscrições, endereço completo de onde vai acontecer o evento, vamos socializando por aqui na página da CONAQ.

OUVINTES em geral arcaram com suas próprias despesas de passagem, alimentação e hospedagem, com inscrição prévia solicitada a organização do evento.

Qualquer dúvida, por gentileza, mande mensagem (in box) nesta página mesmo que vamos respondendo.

Fonte: CONAQ

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CAIXA assina contratos do PNHR com 215 famílias quilombolas no Amapá

A Caixa Econômica Federal assinou contratos para construção de 215 unidades habitacionais na zona rural do Amapá, com cinco comunidades quilombolas do Amapá, denominadas Igarapé do Lago, Ressaca da Pedreira, Rosa, Curralinho e Conceição do Macacoari. A assinatura ocorreu na sexta-feira (10).

A operação de concessão de subsídio à habitação com recursos do Orçamento Geral da União está enquadrada no Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), de abrangência nacional, que está inserido no Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), do Governo Federal. O PNHR tem a finalidade de atender trabalhadores residentes na zona rural, com renda familiar anual de até R$ 15 mil.

Para o gerente regional da CAIXA no Amapá, Célio da Silva Lopes, “este ato materializa o esforço do Governo Federal em levar as políticas públicas até onde estão as pessoas, até as comunidades mais distantes das cidades e dos grandes centros. Assistir a comunidades remanescentes de quilombos, às vésperas do aniversário da CAIXA, simboliza que esta empresa sempre esteve e sempre estará ao lado das populações que mais precisam de apoio”, disse.

Gerente regional da CAIXA, Celio Lopes e a beneficiária Sheila Chagas

Gerente regional da CAIXA, Celio Lopes e a beneficiária Sheila Chagas

Para o representante da comunidade de Conceição do Macacoari, Adenor de Souza, “todos sonhamos em ter uma casa, mas poucos são os que lutam para alcançar esse sonho. Nós lutamos e podemos dizer que este momento é o resultado da nossa luta. Foi porque não ficamos acomodados, que daqui a alguns meses teremos nosso lugar para descansar”.

Programa Nacional de Habitação Rural – Parte integrante do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), o PNHR foi criado pela necessidade de uma política habitacional que atendesse as especificidades da moradia no campo, onde as diferenças em relação ao meio urbano – tais como cultura, forma de remuneração, gleba de terra, logística para construção – passaram a ser consideradas nos programas de moradia para a população do meio rural.

Fonte: CAIXA

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